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Falar sobre morte é sempre um tabu, não é mesmo?! Mas esse é um dos temas que mais gosto de ler e estudar, principalmente, sobre como abordamos e reagimos à morte. Ainda na época da faculdade escrevi um artigo para o jornal do curso de Medicina. Por considerar um assunto de extrema importância, enquanto presidente do Centro Acadêmico, levei o tema para os eventos das semanas acadêmicas.

Recentemente, em duas ocasiões, a temática reapareceu em minha vida. Mas calma, está tudo bem com a minha família e com os meus amigos. Digo isso porque ao escolher uma série e um livro para meu lazer da semana, acabei me deparando com o assunto novamente.  O primeiro contato foi logo no início do seriado “A História de Deus com Morgan Freeman”, disponível na Netflix.

Na série, o apresentador viaja o mundo tentando entender como as diversas religiões abordam alguns temas da vida. No primeiro episódio, Morgan Freeman mostra como os povos do Ocidente não lidam bem com a morte e como, de fato, o luto é muito mais dolorido na nossa cultura do que em culturas orientais, nas quais a própria religião vê o falecimento de forma diferente, o que pode ajudar a lidar melhor com esse momento.

O segundo reencontro foi no livro “Existo, existo, existo”, da irlandesa Maggie O’Farrell. A autora conta que viveu 13 experiências de quase morte. O interessante é que quando li a sinopse logo pensei: como alguém pode ter tido 13 experiências de quase morte?.Maggie mostra que a morte está sempre ao nosso lado, no dia a dia mesmo. Por isso, muitas vezes, quando decidimos virar para a esquerda ao invés de ir pela direita podemos nos desviar ou ir de encontro à “ela”. Parece teoria da conspiração, mas faz sentido.

De acordo a irlandesa, “não há nada de único ou especial numa experiência de quase morte. Não são raras, todo mundo, eu arriscaria dizer, já passou por elas, uma vez ou outra, talvez sem nem mesmo saber. Uma van que passa raspando, o médico cansado que percebe que deve verificar uma dose uma vez mais, o motorista que bebeu demais e foi relutantemente persuadido a abandonar as chaves do carro, o trem que você perdeu, o avião que não foi pego”.

Viu como faz sentido?!Provavelmente, você está pensando em todas as situações similares que aconteceram com você. Eu também fiz essa reflexão e notei que todos nós, em algum momento, passamos por essas experiências e nem sequer percebemos. Vou compartilhar somente algumas que vem à cabeça rapidamente. Quando meu irmão, com 3 anos naquela época, ficou preso no brinquedo; quando me perdi nos EUA e fiquei por quase 6 horas sem contato com a minha família; quando meu pai tinha comprado a passagem para o voo da TAM que caiu em 1996 e teve que antecipar a viagem em um dia por causa de um compromisso; quando a Helena, minha filha, se engasgou com 1 mês de idade…. e assim vou lembrando de diversas situações.

Não falar sobre morte faz com que “ela” deixe de nos rondar? Acho pouco provável! Então, se “ela” é inevitável, se todos os dias temos a possibilidade de experienciar a morte e se ao longo da vida teremos que passar pelas situações de perder entes queridos, por que ainda é tão difícil falar sobre esse assunto? O fato é que deveríamos conversar mais sobre perdas e encarar de uma forma diferente a morte. Só assim, em minha opinião, o luto deixará de ser um tema que leva a tantos problemas emocionais.