Quando uma pessoa com problemas psiquiátricos comete um crime no qual o transtorno mental a levou a não se autodeterminar, ou seja, a não ter controle pleno de suas atitudes e não ter discernimento de compreender o quão errado e/ou ilegal é o ato que praticou, ela pode ser considerada inimputável para esse crime.

Para muitos, ser considerado inimputável vira um salvo conduto ou uma licença para praticar delitos. Porém, essa não é a realidade! Muitas vezes a sanção acaba por ser mais longa do que seria a pena judicial, especialmente em atos considerados graves. Nos Estados Unidos, é relativamente comum advogados tentarem fazer com que assassinos sejam considerados inimputáveis, para que não sejam condenados à pena de morte. Provavelmente, esse conceito de que ao ter uma doença psiquiátrica escapa-se da justiça deve ter sido disseminado por causa disso.

Entretanto, no Brasil, quando uma pessoa é considerada inimputável é determinada para ela algum tratamento em função do delito que executou. Em casos graves, como nos assassinatos ou tentativas de assassinatos, normalmente o paciente é levado para um manicômio judiciário ou algum estabelecimento semelhante. Ele permanece neste local até um perito determinar que cessou a periculosidade, ou seja, que a doença psiquiátrica está controlada e não oferece mais risco para uma nova transgressão.

É importante ressaltar que, devido à seriedade da doença, o fim da periculosidade para indivíduos sociopatas ou psicóticos graves pode não ocorrer nunca. Apesar de a justiça brasileira não permitir que ninguém fique preso por mais de 30 anos em decorrência de um crime, pessoas consideradas inimputáveis podem permanecer reclusos para sempre. Desta forma, ser considerado inimputável pode levar a mais tempo de reclusão do que ser julgado e condenado.