Você já traçou planos para o futuro ou mesmo esperou ansiosamente por um acontecimento e, de repente, isso nunca se concretizou?! Eu já… e é frustrante, né?!
Percebo que muitas vezes colocamos uma ideia na cabeça e isso se torna o centro de nossas vidas. Aí começa o dilema… continuar aguardando ou largar tudo e partir para uma outra opção? Os questionamentos são diversos e em vários campos da vida. Mudar ou não de cidade? Acabar ou não um relacionamento? Insistir ou não nos estudos para um aprovação que não chega? Trocar ou não de emprego? E por aí vai…

Esse impasse já foi tema de várias obras literárias e duas delas me chamam muito a atenção. No Livro “O deserto dos tártaros”, de Dino Buzzati, o personagem Giovanni Drogo é um oficial do exército que foi designado para um forte distante da cidade onde morava. Ao chegar no local, ele percebe que não terá muitas atividades para fazer, tendo em vista que não havia risco de invasões. Com isso, Giovanni passa a sofrer com o dilema de manter a espera de uma invasão e, consequentemente, seu momento de glória ou simplesmente abandonar tudo e tentar iniciar a vida em outro lugar.

Já no livro “Amor nos tempos do cólera”, do ganhador do prêmio Nobel, Gabriel Garcia Marques, o personagem Florentino Ariza desenvolve um amor platônico por Fermina Daza, que acaba se casando com o médico Juvenal Urbino. Então, Florentino passa a viver em função de uma oportunidade de conquistar a amada. E é claro, uma oportunidade que aparentemente nunca chega.

Tanto Giovanni Drogo como Florentino Ariza decidem por aguardar a possibilidade de os objetivos se cumprirem. Porém, essa longa espera se arrasta por décadas, até que, enfim, a oportunidade chega.
Entretanto, para um deles essa delonga se mostra frutífera. Já para o outro, acaba em uma grande frustração. Em ambos os casos os personagens não demonstram arrependimento pela decisão de esperar, mesmo com a demora ou com a frustração de não conseguir o que tanto queria.

Esse tipo de indecisão está presente na vida de todos nós e rotineiramente. Obviamente, nem sempre com esse grau de dramaticidade de ser um grande amor ou a glória de salvar um país. Muitas vezes é algo pequeno, mas que tem um impacto enorme na saúde emocional. Muitas pessoas adoecem por não conseguirem decidir ou mesmo por perceber que tomaram a decisão “errada”.

Por isso, ao citar os exemplos destes livros, eu convido você a analisar a resiliência dos personagens e, principalmente, a atitude deles em não se indignar com o resultado final. Ninguém tem uma resposta certeira para todas as situações. É importante aceitar que é difícil, sim, optar por esperar ou mudar completamente o rumo. E tudo bem ser assim… somos seres humanos!

Por fim, a minha reflexão é que, independente, da circustância é necessário analisar bem cada cenário e tomar uma decisão. E o essencial é não se frustar quando a escolha parecer “errada”. Um sentimento de arrependimento pode prejudicar, e muito, a sua saúde mental.